quarta-feira, dezembro 20, 2017

Como saber se o candidato é ou não é corrupto?


Com o título “Eleições 2018: renovação ou continuação”, eis artigo do professor Dimas de Castro e Silva, da Universidade Federal do Cariri. “O povo indignado assiste ao espetáculo, passivo, aguardando a hora de “trocar o time”. Mas será desta vez que acabaremos com a corrupção no Brasil?”, eis o que ele expõe para reflexões. Confira:

Daqui a 10 meses, no dia 7 de outubro de 2018, o eleitor brasileiro votará em primeiro turno para escolher o seu novo presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. No momento atual, de caça aos políticos corruptos, e de seus pares, investigados negociam cargos, emendas e todo tipo de favor para escapar da cadeia certa. O povo indignado assiste ao espetáculo, passivo, aguardando a hora de “trocar o time”. Mas será desta vez que acabaremos com a corrupção no Brasil? Há tempo para a chegada de uma nova safra de políticos, honestos e competentes? Como saber se o candidato é ou não é corrupto?
Como sempre, parte dos candidatos será representante de oligarquias locais que, eleição após eleição, perpetuam-se no poder. Já a dita “nova safra” de nova não tem nada! Na política, como em qualquer ramo de negócio, só avança quem tem capital para investir em campanhas de custos astronômicos. Dinheiro não cai do céu e quem não tem capital próprio vende a alma a seus financiadores, que, com vultosas doações de campanha, cobram que seus interesses sejam bem defendidos por suas marionetes.

Candidatos limpos, que não representam grupos empresarias ou legislam em causa própria, nem são membros de quadrilhas partidárias, seriam uma raça mutante, super-heróis que habitam na “sala da justiça” de nossa imaginação. Quem deixaria uma carreira de sucesso no setor privado ou uma carreira estável no setor público, abdicando do convívio da família e dos amigos, para candidatar-se a um cargo público no Brasil de hoje? A motivação para a vida pública já parece algo incompreensível, injustificável e inalcançável.

Resta ao povo a dura escolha solitária de um candidato que o represente. Anos de destrabalho na saúde, na segurança, no transporte e principalmente na educação trouxeram o atraso cultural, moral e intelectual de toda uma nação. Nossos valores foram sendo destruídos, pouco a pouco. O que nos resta agora é a triste escolha entre o ruim e o menos ruim, o que rouba e o que roubará menos. Meu negativismo talvez pareça exagerado e formador de um texto sem saída, mas as verdades, mesmo que minhas, são sempre duras para quem não quer ouvi-las.

Que renovação, que nada. Ver gente condenada podendo se candidatar e ser eleito? A política brasileira virou uma esculhambação! Humilhante e perturbador é ver tantos ladrões se perpetuando no comando de nossos destinos sabendo que, pelo nosso voto, irão ganhar pelo menos mais quatro anos de lambuja.

*Dimas de Castro e Silva Neto
dimas_de_castro@hotmail.com
Professor Adjunto da Universidade Federal do Cariri; doutorando na Universidade de Aveiro.

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