terça-feira, outubro 10, 2017

A IDEOLOGIA DE GÊNERO TEM SIM, SUA ORIGEM, NO COMUNISMO

 Os resquícios mais longínquos desta ideologia encontram-se em Karl Marx, em seu livro — assinado por Friedrich Engels, dado à morte de Karl Marx antes do término do escrito — : A origem da família, da propriedade privada e do Estado (ENGELS, 2014), livro onde ele pretende explicar a origem da realidade familiar através de um viés de liberdade sexual extremada. Marx escreve esse livro a partir das deduções de um antropólogo denominado na obra como: “Morgan”, da Ancient Society

Segundo o livro, nas primeiras civilizações não haviam famílias consolidadas aos moldes que hoje conhecemos, o que de fato havia era uma vida sexual sem restrições morais ou de qualquer outro nível aparente. Os homens mantinham relações sexuais com todas as mulheres da aldeia — ou tribo. 

Culminando que os filhos não sabiam quem eram os seus pais (obviamente o filho sabia quem era sua mãe, porém, desconhecia quem era o seu pai biológico), sendo criados por todos na aldeia em uma línea igualdade, segundo o próprio Karl Marx.

Para Marx, nesta sociedade havia uma verdadeira igualdade e justiça, sendo o “Estado” (tribo) responsável pela educação das crianças. Ainda baseado nestes estudos, Marx infere que, quando o homem começa a tomar para si certas demarcações territoriais, por conta da agricultura, ele encontra a necessidade de doar os frutos de seu trabalho a alguém, que geralmente designava-se ao sexo oposto, criando assim o princípio do “matrimônio”. 

Com terras demarcadas, uma família sendo estruturada, e a mulher sendo tomada como “propriedade” pelo homem, Karl Marx deduz que: o patrimônio (propriedade privada) é fruto do matrimônio; sendo assim o matrimônio é a “base” do patrimônio para Karl Marx. Para o alemão, se quisermos obter uma correta e eficiente revolução, chegando ao âmago do problema e rumando à igualdade plena, temos que destruir as raízes da propriedade privada, ou seja, o matrimônio, a família tradicional.

Após isso, muitos marxistas entenderam os apontamentos de Marx: a revolução comunista não viria por meios econômicos ou militares, mas sim por meios culturais. O primeiro, após Karl Marx, a sublinhar enigmaticamente isso foi o filósofo marxista Karl Korsch, onde, na 3ª internacional (congresso mundial sobre a filosofia marxista) de 1923, afirmou que a revolução comunista deveria atacar as “subestruturas” da propriedade privada, ou seja, o matrimônio como antes Marx havia apontado. Max Horkheimer (um dos fundadores da escola de Frankfurt) posteriormente lança um ensaio intitulado Autoridade e Família. Nesse ensaio, na mesma linha de Marx e Korsch, mostra ele que a autoridade — patriarcado — e a posse de bens surgem no seio familiar. Se o que se quer é desmantelar a propriedade privada, deve-se, antes, desmontar a unidade familiar, origem e sustentáculo da aristocracia capitalista.

Muitos marxistas seguiram em direções contrárias às indicações deixadas neste último livro de Marx. Optaram eles pelas revoluções armadas, tendo por foco os poderes econômicos de determinados países . É bem verdade que anteriormente Marx havia sublinhado em seus escritos que a ditadura armada do proletariado seria o caminho sumarizado para o comunismo. Isso ocorreu, principalmente, em seu livreto: “O manifesto do partido comunista” (MARX, 2012).

Entretanto, outros entenderam o que o alemão havia apontado no final de sua vida, isto é: a revolução deve vir por meio da derrubada da unidade familiar e pela desintegração moral ocidental.

Contudo, somente estes escritos citados anteriormente, e os apoios de nomes importantes nos meios acadêmicos e midiáticos, não foram o suficiente para diminuir o poder e a união familiar. Teriam, então, que ajustar a estratégia, mas o foco a ser atacado já estava delimitado: a família.

Percebendo que a revolução não viria pelo simples ataque aberto à família, e principalmente após o fracasso das revoluções armadas do século XX, os(as) marxistas-feministas entenderam que o modus operandi da revolução era falho no seguinte ponto: a sociedade já estava profundamente enraizada em seu modelo familiar; perceberam que ela não abriria mão deste modelo a não ser que fosse convencida (doutrinada) internamente que esse modelo é ruim, falido e/ou “opressor”. Como bem sabemos, a mudança estrutural de bases acontece de dentro para fora e não de ataques externos, e qual é a forma mais basal de uma instituição? Segundo Michel Foulcaut: o discurso.

Todavia, faltava alguém que juntasse todas estas ideias expostas e as compilasse em uma nova ideologia/doutrina, para que, enfim, a tão sonhada revolução sexual — que tem por meta a revolução política — fosse realizada.

JUDITH BUTLER
Essa pessoa foi Judith Butler. Feminista e conhecida por ser a teórica mais profunda da “teoria de gênero”; Butler, em seu livro “Problemas de gênero” (BUTLER, 2003), concebe uma interpretação da sexualidade no mínimo assustadora. Para Judith Butler devemos acabar com toda e qualquer classificação sexual, não podemos, e nem devemos, considerar que as pessoas são naturalmente homens ou mulheres, pois, para a autora, a sexualidade é totalmente arbitrária e modificável conforme o ambiente e os anseios emocionais de cada um.

 Ainda que sejamos biologicamente machos e fêmeas, as novas definições culturais de gênero deve sobrepor ao sexo biológico.

Sendo assim, o que determina aquilo que somos, enquanto gênero sexual, diz Judith, são nossas vontades e desígnios psicológicos e/ou culturais. São nossas inclinações psicológicas momentâneas e os pedantes desígnios culturais que definem a que gênero pertencemos. A nossa natureza sexual nada mais é que um dos múltiplos gêneros possíveis.

REFERÊNCIAS

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 10ª Ed. Rio de janeiro: Civilização brasileira, 2003
DR Money andthe Boy with No Penis. BBC: London, 2010. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/sn/tvradio/programmes/horizon/dr_money_qa.shtml. Acesso em: 22/07/2014.
ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. 1ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014.
FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo: um estudo da revolução feminista. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976. Edição original: 1970.
MARX, Karl; ENGELS, Friederich. O manifesto do partido comunista, 1ª ed. São Paulo: Companhia da letras & Penguin, 2012.
MILLETT, Kate. Política sexual, 1ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1969, 1970.
ORWELL, George. 1984, 1ª Ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009.
PRINCÍPIOS de Yogyakarta: sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf . Acesso em: 22/07/2015
Simone de Beauvoir, “Sex, Society and the Female Dilemma — A Dialogue between Simone de Beauvoir and Betty Friedan”, Saturday Review, 14.06.1975, p. 20.
(Vídeo do documentário de Bruce Reimer) — Dr Money e o Menino Sem Pênis — Documentário — https://www.youtube.com/watch?v=zrMY_bH5QAg


Fonte: https://blogdocontra.com.br/ideologia-de-g%C3%AAnero-eu-te-explico-6bed1d9b24ea

Com edição e formatação de texto, Luís Augusto

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