terça-feira, agosto 22, 2017

O VALOR DO JORNALISMO

 

Jornalismo e democracia são duas palavras inseparáveis.

O jornalismo presta serviço à democracia de várias maneiras, mas especialmente duas. 

A primeira é quando expõe ao cidadão as entranhas do poder – quando isso ocorre, mesmo à revelia, os representantes do povo têm de prestar contas a seus eleitores. 

A segunda é quando, através de fatos devidamente aferidos e checados, colabora com o debate público. Tal missão é especialmente relevante em tempos de pós-verdade – em que as notícias falsas engendram discussões sobre questões igualmente falsas.

Em sua milésima edição, ÉPOCA relembra algumas de suas principais reportagens, como forma de fazer uma homenagem ao jornalismo. A homenagem consiste em mostrar qual a repercussão de cada uma dessas matérias. Como elas qualificaram o debate público ou mudaram seu eixo. 

As que expõem entranhas do poder têm como personagens todos os que passaram pela Presidência da República desde que a revista foi fundada, em 1998 – Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. 

As que provocaram discussões referem-se a problemas crônicos do Brasil, como a violência policial, expressa em fatos como o massacre de Eldorado do Carajás.

Como costuma dizer o americano Gay Talese, decano da reportagem, o jornalismo é uma atividade simples, pois consiste basicamente em apurar histórias com rigor e narrá-las de forma envolvente. 

É precisamente isso, mas é muito mais, quando se leva em consideração que tais histórias não se resumem às páginas reais e virtuais. Cada vez mais elas são compartilhadas, viralizam, repercutem. Constroem-se a partir da realidade, e depois a modificam.

Os fatos sobre os quais se assentam as discussões constituem o chão do debate democrático, da mesma forma que não há democracia sem transparência do poder. As duas coisas estão na essência da atividade jornalística – que ÉPOCA homenageia em sua edição número 1.000.

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