sexta-feira, março 24, 2017

Integrado e apoiado por enrolados em escândalos, governo elevará impostos



Os economistas do governo são como ficcionitas que se deram bem na vida. A gestão de Michel Temer, que prometia adotar o realismo fiscal, tomou gosto pela ficção. 

A equipe de Henrique Meirelles dizia no ano passado que o buraco nas contas públicas de 2017 seria de inacreditáveis R$ 139 bilhões de reais. O ministro da Fazenda informa que o rombo cresceu em R$ 58 bilhões. Para retornar da cratera inaceitável para o rombo inacreditável, o governo flerta com o aumento de impostos. Como se hábito, vão meter a mão no seu bolso.

Sempre que precisam dar lições à plateia ignorante, os economistas de Brasília recorrem à analogia doméstica. Dizem que o Orçamento da União é como o orçamento da sua casa, onde ninguém está autorizado a gastar mais do que ganha. O problema é que os ficcionistas do governo não seguem os próprios ensinamentos. 

No final do ano passado, por exemplo, aprovaram-se no Congresso pacotes milionários de reajustes salariais para servidores. Dizia-se que estava tudo na conta do déficit de R$ 139 bilhões. Era lorota. Para ficar na metáfora doméstica, é como se o governo guardasse café no pote de açúcar, sem se dar conta de que na frente está escrito sal.



 (Josias de Souza)

Nenhum comentário: