sexta-feira, setembro 30, 2016

Expresso 150 – Qual a diferença entre os que negociam liminares e os bandidos?

 Com o título “Um País inexplicável”, eis artigo da jornalista Regina Ribeiro. Ela comenta o caso da Operação expresso 150 em tom de estarrecimento. Para Regina, não há diferença entre advogados e bandidos nessa história da venda de liminares. Confira:

Já faz anos e anos que o tema que envolve a venda de decisões judiciais que beneficiam criminosos é do conhecimento de muitos. Chegava a ser estarrecedora essa hipótese, mesmo quando a névoa da suspeita incerteza pairava sobre os reles mortais crentes de que certas atitudes não ficam bem para homens e mulheres que devem proteger a sociedade daqueles que tomam caminhos pouco recomendáveis.

Acompanhar os últimos desdobramentos da Operação Expresso 150 só não arranca de mim completamente a fé na justiça humana, porque ela já estava mesmo por um fio. E isso não aconteceu ontem, vem de um tempo observando algumas coisas. O relato das conversas durante as negociações de liminares envolvendo desembargadores e advogados são inimagináveis. Teríamos embrulho no estômago que ouvíssemos tais diálogos no cinema. Ficaria sem fome de ver ou ler tal coisa numa ficção.

O deboche, a hipocrisia e a desonestidade praticada em bando parece que formam os novos pilares de uma espécie malévola da nova ética profissional na qual militam, inclusive, criaturas pagas pelo Estado para agir contra a ilegalidade. Só falta saber que essas pessoas foram às ruas vestidas de verde e amarelo bradar contra a corrupção, que bateram panelas nas varandas das coberturas à beira-mar, além de soltarem rojões e beberem taças e taças de Moet e Chandon Dom Perignon White Gold para comemorar o novo rumo da política nacional.

Meu amor falou que tem um HC que voltou da PGJ ontem … O meu amor é o relator é isso? Está na pauta. O voto do meu amor é favorável… Temos que esperar os demais…” “Faz uma pergunta pra ele: fulano prefere o réveillon no aterro da Praia de Iracema, ou trancado nessa cela só com marginal? Tem coisas que só um plantão pode fazer por você”.

Qual é a diferença entre os criminosos que estão nos presídios dos quais temos tanto pavor e estes que negociam a liberdade deles sem nenhuma preocupação? Como explicar tal nível de distorção de conduta vinda de uma elite do poder judiciário e advogados? Como falar sobre isso com jovens estudantes de Direito? Aliás, o Brasil está se tornando cada vez mais inexplicável.



*Regina Ribeiro
reginah_ribeiro@yahoo.com.br
Jornalista do O POVO


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