quarta-feira, julho 20, 2016

Gostei quando li e por isso, publico. Criminalidade como nunca antes



Em artigo no Facebook, o delegado César Wagner Maia Martins, ex-delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, avalia o avanço da criminalidade no Estado, diante de uma política voltada para a individualidade em detrimento do coletivo. Confira:

O crime se organizou diante de governos que, apesar de boas intenções, optaram por escolher projetos isolados (lembram aqui no Ceará do Ronda, o próprio Raio) como meio único de combate e se esquecendo de que deveriam e devem ser um instrumento de um plano estratégico de segurança pública.

Sinais não faltaram para indicar o que estaria por vir. Nos últimos anos os homicídios dolosos se multiplicaram assustadoramente embalados pelo avanço progressivo do narcotráfico, enquanto a polícia judiciária, de investigação, diminuiu na mesma proporção.

Era um sinal claro que a impunidade ganhava seus contornos mais dramáticos. Crimes se sucediam, se amontoavam, sem investigações. Homicidas quando presos já estavam em seu oitavo, décimo crime.

De outro lado surge a corrente do garantismo exacerbado onde os defensores deste elegem a individualidade em detrimento do coletivo.

Sistema penitenciário afunda mergulhado em uma crise sem precedentes, fruto do descaso com os presos e concessões sem fim para garantir “a paz”. Jovens iniciantes no crime são alojados ao lado de bandidos perigosos. Nova geração surge rapidamente, mais perigosa que a primeira no vácuo mais uma vez do Estado.Para minimizar aparece as chamadas audiências de custódias, sob o pálido argumento de se verificar a legalidade da prisão, quando esta é mensurada inicialmente por uma autoridade constituída com formação jurídica – o delegado. Na verdade o que desejam é desafogar os presídios criando um círculo ainda mais perverso de perpetuação do crime e da desmoralização da punibilidade.

Diante de todo este quadro as reações tardam atraindo bandidos de outros Estados que observam atento os acontecimentos.

A Polícia como meio de repressão é vítima de todo tipo de ataque, que buscam enfraquecer suas fileiras, já submetida a pressão muito além de que qualquer cidadão aguentaria.

A politicagem tenta ganhar força nas Instituições, alicerçada por egos imaturos, desmotivando aqueles que querem cumprir suas missões.

Enquanto policiais tombam, quase que diariamente, Instituições silenciam de uma maneira ensurdecedora que faz tremer a alma do mais destemido policial.

Por fim, policiais são enterrados sem a presença de representantes da sociedade organizada, o que demonstra sua total submissão a uma doutrina de que o agente da lei é o carrasco e o bandido a vítima.

Soluções mágicas jamais existirão. Primeiro remodelar, corrigir o que está posto, fortalecer, valorizar.

Os governantes precisam ouvir mais, buscar novas opiniões, evitando se fixar em pequenos grupos que geralmente criam um cinturão em torno da Autoridade máxima, muitas vezes fazendo com que este perca o contato com a realidade das ruas, pois apenas as boas notícias costumam chegar.

Ninguém tem o direito de se omitir neste momento de tamanha gravidade. Os governantes não podem se sentir sozinhos e se por um lado é natural e salutar cobranças, deve surgir também uma grande corrente de apoio.



*Cesar Wagner,
Ex-delegado-geral da Polícia Civil do Ceará.

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