sexta-feira, janeiro 22, 2016

O crime não compensará




Da Coluna Fábio Campos, no O POVO:


Quanto mais avança, mais a operação Lava Jato é duramente atacada. Fiquemos atentos. Nos últimos dias, a força tarefa que reúne Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Judiciário foi alvo se ataques oriundos da aliança entre políticos, empresários e seus advogados envolvidos nas investigações.

Primeiro, a força tarefa foi acusada num manifesto assinado por 105 advogados de transformar a Lava Jato numa “espécie de inquisição”. Ora, vejam. Na sequência, como num ensaio, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, assinou texto corroborando com o conteúdo do manifesto dos advogados dos réus da Lava Jato.

Ontem, o ex-presidente Lula, em amistosa entrevista coletiva concedida aos “blogueiros progressistas”, criticou o instrumento da delação premiada que vem sendo a principal âncora para a elucidação do esquema criminoso que tomou o País de assalto (com e sem trocadilho).

Lula foi além. Vejam a seguinte frase: “No Brasil, neste momento, nem habeas corpus as pessoas estão conseguindo. Está muito mais difícil que na ditadura militar”. Portanto, a oração preferida nada mais é do que um complemento do manifesto dos advogados.

Trocando em miúdos, o ataque tem o seguinte objetivo: fazer com que a Lava Jato seja vista como uma operação que usa meios ilegais para prosseguir. Portanto, uma operação ilegal. Anular a operação é o grande e sonhado objetivo de réus e demais suspeitos.

De quebra, claro, a imprensa (“a mídia”, para os “blogueiros progressistas”) é apresentada como a grande aliada deste, digamos, estado de exceção que se forma a partir da Lava Jato. E os fatos? Ora, os fatos que se lixem. Pra essa turma, o que importa é a versão que os interessa.

Notem como a mobilização se deu de forma organizada. Aguardem a seguir: os “blogueiros progressistas” (financiados com o meu, o seu o nosso dinheiro) vão reproduzir em massa os mesmos termos usados na carta dos advogados (dos réus), por Falcão e por Lula. Uma orquestra não necessariamente afinada.

A mobilização se evidencia quanto mais avança a Operação Lava Jato, a exemplar ação articulada em conjunto pelas instituições democráticas cujo dever constitucional é combater o crime, desvendá-los e, evidentemente, julgar e condenar os responsáveis pelo maior esquema de corrupção de nossa História.

Na entrevista concedida aos “blogueiros”, Lula mandou essa: “Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste País, é que não tem uma vivalma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da igreja evangélica. Pode ter igual, mas eu duvido”.

Será que não há um só padre mais honesto do que o político Lula? Bom, de toda forma, esse tipo de frase já não é novidade na política brasileira. Não faz tempo, o notório Paulo Maluf se saiu com essa: “A minha ficha é a mais limpa do Brasil”. Pois é.

A tarefa do Brasil é preservar a Lava Jato dos ataques que pretendem desmoralizar a operação. Trata-se de uma oportunidade histórica. O “limpo” Paulo Maluf nunca foi definitivamente condenado. Sua idade avançada já lhe garante a impunidade. Esse risco não pode se repetir no caso dos crimes que se relacionam com o mais ambicioso e pernicioso projeto de poder que já vigorou no País.

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