terça-feira, novembro 24, 2015

Aquicultores, produtores rurais e gestores temem que o Açude Orós seja esvaziado, como ocorreu em 1993



Preocupação. Esse é o sentimento das lideranças políticas locais, dos piscicultores, produtores rurais acerca da decisão do governo do Estado de que as águas do Açude Orós, na região Centro-Sul do Ceará, podem ser liberadas em grande escala, a partir de abril de 2016, para atender à necessidade de consumo da Grande Fortaleza, caso não ocorra recarga nos açudes durante a próxima quadra chuvosa. A cidade começa a se mobilizar e discutir a medida anunciada pelo governo.

Atualmente, o açude libera, por meio da válvula dispersora e do canal de transposição, cerca de quatro mil litros por segundo. O esvaziamento do reservatório tem impacto enorme na economia regional, vai gerar desemprego, queda de produção de piscicultura, agropecuária e colapso no abastecimento de várias localidades e até afetar a transferência de água por caminhões-pipa para dezenas de municípios da Paraíba, que há um ano fazem o abastecimento diário no Açude Lima Campos, que depende do Orós.


 O prefeito Simão Pedro mostra-se muito preocupado e defende a ideia de que a decisão já anunciada pelo governo do Estado precisa ser analisada, considerando a necessidade futura do consumo da Região Metropolitana de Fortaleza e a grave consequência que ocorreria na região, mediante o esvaziamento do Açude Orós. "Enfrentamos uma situação grave e as pessoas precisam ter consciência sobre o uso da água sem desperdício", frisou.
 "A Grande Fortaleza precisa dar exemplo de economia. É preciso uma grande campanha de alerta".

O açude Orós tem papel importante na sustentabilidade da economia local, gerando trabalho e renda para centenas de famílias de produtores de tilápia em tanques redes; milhares de agricultores e criadores nas várzeas do reservatório, em Quixelô; e por dezenas de quilômetros ao longo do Rio Jaguaribe.

"O Orós é uma verdadeira indústria, pois gera emprego e renda para milhares de famílias", observou o ex-gestor municipal Eliseu Batista Filho. "Todos nós estamos preocupados, vendo a situação se agravar na Paraíba e no Ceará, daí a necessidade de ampliar as campanhas de uso consciente da água". Ele afirmou que a questão não é impedir a transferência de água para Fortaleza, mas ponderar que não se deve simplesmente esvaziar o Açude Orós sem um plano compensatório e ações alternativas para os produtores rurais.

O Açude Orós, nos últimos anos, vem assegurando a perenização do Vale do Jaguaribe até o Açude Castanhão, transfere água para abastecimento das cidades de Jaguaribe, Jaguaribara, Icó, além de distritos e vilas, como Feiticeiro e Nova Floresta, em Jaguaribe, e Guassussê, Pedregulho e Igarói em Orós.

A atividade de piscicultura na bacia do Açude Orós gera ocupação para 700 famílias. A produção de tilápia por mês é estimada em 120 toneladas. O quilo do pescado é vendido em média por R$ 6. São cerca de R$ 7,2 milhões movimentados mensalmente nas mãos de produtores da aquicultura familiar.

Diário do Nordeste

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