segunda-feira, abril 20, 2015

OPINIÃO


 Carlos Chagas
Ninguém sobrevive da enganação

Uma das maiores distorções  dos  tempos modernos refere-se à comunicação social. Quando um governo vai mal,  por conta de suas próprias limitações, defeitos e incompetência, a primeira desculpa que se ouve  é  de que  perdeu a batalha da comunicação, como se informações e campanhas publicitárias  tivessem o dom de varinhas de condão. Se não há o que informar ou promover, mas, ao contrário, se os malfeitos dão a tônica, de que maneira aceitar o canhestro raciocínio?

Vivemos um desses períodos, onde os donos do  poder sustentam ser a imprensa a responsável por seus fracassos. É claro que a mídia erra, comete equívocos e até desatinos. Mesmo assim, torna-se incapaz de alterar a natureza das coisas. Além de existir a lei,  para os abusos  praticados. Basta ler a  Constituição, em variados artigos. Ela garante a liberdade e coíbe os abusos.

Em preparação ao seu novo Congresso Nacional, o PT dá sinais de que investirá outra vez contra os meios de comunicação,   culpando-os pela péssima imagem do partido e do governo. Por isso estão reavivando a proposta da regulamentação da mídia. Prometem não se imiscuir no conteúdo das  notícias e não explicam direito o que pretendem.  Mas só pode ser a imposição de suas versões e a limitação do direito de  cada jornal, revista, rádio ou televisão divulgarem o que imaginam ser da preferência de leitores, ouvintes e telespectadores. Porque um princípio maior rege a atividade dos meios de comunicação:  cair  no gosto da sociedade. Caso contrário, não faturam  e vão à falência. Se transformados em boletins dos detentores do poder, não despertarão a curiosidade do público.  Há perigo nessa concepção própria do  sistema capitalista, capaz de estimular a manipulação dos temas a ser apresentados, mas ainda é o  menos pior, porque a contrapartida seria a imposição de material rejeitado pela maioria. Nem se fala da censura, que vivemos de quando em quando,  o mais  deslavado mal capaz de ser praticado contra a mídia e  contra  a sociedade.

Dificilmente o Legislativo  aprovará a tal regulamentação sustentada pelo PT, que outra  vez  voa  sobre nós como um urubu em busca de carniça. Estivesse o partido cumprindo suas promessas, mudando e aprimorando o regime e as instituições e jamais os companheiros cogitariam da aplicação dessa lei celerada que apresentam como pretexto para a incompetência de seu governo. Vale aquela máxima de Lincoln, de que  é possível enganar a todos por pouco  tempo, ou a poucos por todo o tempo, mas jamais a todos por todo o tempo. Nem para a imprensa, nem para o poder público, será possível sobreviver da enganação. 

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