sexta-feira, março 20, 2015

Jabor classifica episódio de Cid como 'caso de oportunismo político com psiquiatria'



Em seu comentário na edição desta sexta-feira (18) do jornal O Globo, o comentarista Arnaldo Jabor faz uma análise do episódio da Câmara dos Deputados que culminou com a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes.

Segundo ele, o que aconteceu "tem uma explicação difícil porque tudo está tão louco que talvez isso seja um caso de oportunismo político misturado com psiquiatria".

Leia abaixo a íntegra do comentário:

Isso que aconteceu na Câmara hoje tem uma explicação dificílima porque tudo está tão louco que talvez isso seja um caso de oportunismo político misturado com psiquiatria.

Horas antes da fala de Cid Gomes, o seu irmão Ciro Gomes deu uma entrevista a um blog aconselhando o Cid a descumprir o que Dilma mandou fazer: pedir desculpa ao Congresso. E Cid obedeceu Ciro, seu irmão mais velho.

Quem ganha com isso? Ciro talvez tivesse o desejo inconsciente ou consciente de fazer que Cid ficasse como ele está: isolado, fora do baralho. E assim Cid proporciona a Ciro a recuperação de um prestígio perdido. A beleza da solidão digna. É a tática da pureza como opção diante de dois poderes que se xingam quando os dois tem razão.

Ao mesmo tempo, Cid escapa de Dilma cercada e esculacha os acusados de corrupção na Câmara. Assim, os dois agradam a opinião pública que considera a Câmara um antro, e se purificam com isso.

Os dois irmãos lavam mais branco como sabão em pó. Cid serviu Ciro. Ciro se fortalece cooptando o Cid e a consequente solidão dos dois ganha uma dignidade nova que pode servir mais tarde. O partido dos dois irmãos será uma sigla valorizada, pois ninguém sabe o que vem por aí nessa política delirante de hoje...ou então é só loucura mesmo. Ou não.


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