sexta-feira, julho 25, 2014

FARIAS DE SOUSA: Minha vida. Minha morte.

Açude Farias de Souza - Nova Russas
HOMENAGEM


Em 1983, nasci. Em um nascituro esplêndido aos olhos de quem me viu surgir. Rodeado de montanhas, no meio da caatinga do enorme sertão cearense. Nasci para ver meus filhos também nascerem, crescerem e se desenvolverem. Nasci para dá a vida aos seres humanos, a fauna e a flora que me rodeiam. Enfim, nasci para simplesmente atender a uma primordial necessidade básica: a sede de que a tem! Nasci para servir, mas também ser servido, cuidado com zelo e compaixão. Como nasce algum objeto natural, mesmo que seja pela força do homem trabalhador que me fez surgir da necessidade meramente serventina a troco apenas do respeito e da complacência para com a minha escassa vida natural. Nasci para desenvolver a economia. Para alimentar quem teve fome. Para amparar as crianças, os idosos e os demais que sempre impuseram a mim a distribuição de suas necessidades básicas. Puseram-me pseudônimo, nome e sobrenome ao ponto de me estabelecer com uma identidade impar, Farias de Sousa, a qual sou verdadeiramente conhecido por todos os meus nobres filhos a quem doei por tantos anos a graça e a glória do ato de beber e matar a sede dos que vinham a minha procura e ao meu reduto. Lentamente fui crescendo, me desenvolvendo as margens das juremas e campineiras que me circundavam outrora; Tornei-me adulto, robusto, grande, bonito, vistoso e saudável, sempre pronto para servir. Servir e ser servido com respeito e dignidade a minha vida escassa! Cresci tanto ao ponto de segurar um saco cheinho de água carregando 12.230.000 metros cúbicos do líquido precioso sempre, sempre, para servir. 
Servir e ser servido com respeito e dignidade. Doei com tanto esforço minhas energias, minhas moléculas de hidrogênio, mais algumas milhares de moléculas de oxigênio sempre em prol de servir. Servir e ser servido com respeito de dignidade. Fiz tantos amigos os quais os considero filhos, pois ajudei a alimentar e a criar, sempre de longe, porém com o amparo necessário as suas sobrevivências. No desenvolvimento social e econômico sempre me procuraram e eu ali estava de pronto para servir. Servir e ser servido com respeito e dignidade. Por múltiplas vezes dei de beber a quem teve sede; dei banho em quem estava sujo, dei de comer a quem teve fome, dei a vida a fauna vizinha, dei o renascer a flora que me enfeitava de uma bela paisagem natural. Dei a beleza, o sorriso e tudo aquilo que um pai pode doar e dá a seu filho com respeito e dignidade.
 Porém, perdurei por quase a idade de Cristo, tão pouco a graça divida talvez não me ofertou compaixão. Alcancei meus aproximados 31 anos de vida, quando começaram a aparecer as primeiras enfermidades que me puseram a disposição e a mercê dos impactos naturais. O saco cheio d´água o qual sempre carreguei foi pesando em minhas costas, a minha incapacidade foi ficando latente, meus limites físicos foram se compadecendo junto com a dignidade e o respeito que sempre tive aos meus filhos, mas que agora a ganância, a vaidade, a falta de fé e cumplicidade levaram meus queridos filhos a deparar-se com a minha morte, a qual provavelmente terá uma ressureição quando meus filhos souberem ser dignos da minha compaixão!
Mário Henrique
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